quarta-feira, 30 de abril de 2008

Mate

Preciso confessar minha entrega a um vício argentino: el MATE!
Mate aqui não é o tostado e açucarado com limão que se vende no Rio. É a erva ainda crua, con palos, em diferentes aromas, texturas, marcas e preços. É o café do argentino, mas que cria uma cultura de roda que me encanta!
Hoje me comprei um termo. $40. Uma garrafa térmica, de aço inox, onde a água fica quentinha para que se banhe a erva. E é claro que este produto que todo argentino tem é produzido... na China.
Agora me falta um mate propriamente dito (a cuia), uma bomba, e já está.
Na unviversidade, não há um bebedouro mas há um tanque de água quente, onde as pessoas enchem seus termos, e levam o mate para ser sevado na aula. (cada vez se torna mais difícil escrever algumas coisas em português).
Todo mundo bebe mate, todo o tempo! É lindo! Ninguém tem nojo de beber na bomba em que outro bebeu. E para os mais desavisados, se te oferecem o mate e o aceita, tem que beber até o fim. Se fizer ruído de ar no final, não tem problema não é deseducado. E se quiser continuar no circuito do mate, não se pode dizer "Gracias". Isso significa que para você já foi suficiente, que você já está verde.
Um dos "problemas"disso é o resíduo gerado. Ninguém sabe onde enfiar a erva depois que ela já está lavada. E como na Argentina é mais difícil encontrar uma lixeira do que uma agulha no palheiro, a situação se complica. Muitas vezes levam sacolar plásticas para jogá-las. E muitas vezes é preciso tirar uma folha do caderno, e colocar a erva ali. Dura pouco, a água começa a escorrer antes da aula acabar.
Com isso, talvez em breve, se inicie o projeto de separação da erva consumida na Faculdade de Agronomia e Florestal, para ser compostada e criar lombrigas. Projeto do Vivero Forestal e um Professor da Cátedra de Edafologia. Quem sabe participe disso!
Mas por enquanto, preciso de uma cuia.

P.S. (Escrito em 30 de Abril).
O termo por mim comprado não era de aço-inoxidável. Felizmente o senhor da esquina da Facultad de Humanidades aceitou a garrafa de volta, e devolveu o dinheiro.
Agora preciso do termo, do mate, da bomba...

terça-feira, 29 de abril de 2008

Previsão do Tempo

Clima Hoje:
La Plata 14° | 5°
Campinas 28° | 19°

A não marcha de Gualeguaychú

3h30 da manhã, saio de La Casa del Pueblo, mais um dos prédios "tomados pelo movimento" e transformados em espaço cultural. A banda Carinhosos da Garrafa tocava samba e pagode, mas o ônibus para Gualeguaychú, província de Entre Ríos, Argentina, saía as 4 a.m. da Faculdade de Agronomia.
Éramos 19 estudantes e o motorista, com comida, mate e água para um dia, prontos a acompanhar a Asamblea Ciudadana Ambiental de Gualeguaychú na IV Marcha Contra Las Papeleras. Papeleras = indústrias de celulose (neste caso, refere-se a um empreendimento de alto porte da escandinava BOTNIA). Se fosse em fevereiro o motivo poderia ser o famoso carnaval de Gualeguaychú.

Qual o conflito?
A instalação de indútrias poluidoras produtoras de matéria-prima, gera $, gera "trabalho", melhora os índices! Afinal, somos países em via de desenvolvimento, e barrar a entrada de uma empresa de tamanho porte, e barrar o desenvolvimento, e não é isso que nós, latino-americanos queremos. Queremos nos DESENVOLVER! (submissão cultural em diferentes aspectos - há poucos dias me referi a mim e a um argentino com quem conversava como latino-americanos; ele parou por algum tempo, nunca tinha se catalogado como tal. Antes de latino-americanos, são descendentes de italianos ou espanhóis).

Preocupados com o crescimento dos países do Sul, a indústria finlandesa cede a nossa gente a chance de ter perfumados bosques de eucalipto, de seguir em contato com o Dióxido de Cloro (coisa que europeu não pode mais, pois lá é substância proibida desde 2007), e de fazer um bom uso de toda a água que se desperdiça no Rio Uruguay (afinal, águas passadas não voltam mais), gastando 60 milhões de litros diários que saírá mais quentinha e cheia de compostos orgânicos e inorgânicos - um estímulo a "seleção natural".

Na grande mídia brasileira, o conflito é visto como uma briga político-econômica entre Argentina e Uruguai. A tentativa de nacionalizar o conflito é usada para enfraquecer a luta popular que é feita dos dois lados da fronteira. A empresa não tem licença social! A comunidade votou contra a implantação da indústria.

Mas infelizmente eu não conheci a situação in loco.

A queima dos pastizales voltou, e o humo retomou o domínio das estradas. (na mesma época, a regiao ao sul to Rio de La Plata por dias foi tomada pela fumaça da queima das pastagens de Entre Rios). Visibilidade zero, perigo, e busca por um posto de gasolina(estación de servicio) para parar e esperar. Ficamos parados no posto das 7h30 às 11h30. Nós e muitas outras famílias. Seguir viagem era impossível. Com o sol, a fumaça subiu, e seguimos viagem. Mas a ponte já estava cortada. A Asamblea corta as pontes da fronteira com o Uruguai, mas ao longo deste trajeto a polícia já começa a intervir, e pára-se toda a estrada na saída de cada município. São quilômetros de rodovia interditada.
Dali não se podia passar. Ao menos não ontem.
E assim voltamos, cansados e anestesiados por tudo!

Aqui o negócio é marchar e cortar rutas.
A metologia é a mesma, nos diferentes grupos, nos diferentes conflitos.

MAs leiam esta página:
www.noalaspapeleras.com.ar/

sábado, 26 de abril de 2008

Catedral de la Inmaculada Concepción - La Plata - Argentina


Catedral de La Plata - Argentina, upload feito originalmente por Natalie Rios.

Está é a Catedral de La Plata, com estilo neogótico, margeando o sul da Plaza Moreno. A pedra fundamental foi colocada dia 30 de abril de 1884 (a data só é importante porque foi 101 anos e 1 dia antes de eu nascer).
Em um belo dia de sol, encontra-se os amigos, toma-se mate, e se joga conversa fora.
As torres negras,a noite, se mesclam com a escuridão do céu, e uma luz vermelha em cada uma mantém um ar sombrio e assustador, queimando toda a noite.
Existem muitas lendas sobre a construção de La Plata. Uma forte influência maçônica, imagens do diabo nas imagens talhadas na catedral. As esculturas da praça apontam para a Catedral, algumas com armas.
Mitos e lendas urbanas, de pacto com o demo, túneis subterrâneos, e uma guerra de anjo na praça Moreno.
É um dos espaços com mais simbolismos religiosos da cidade. Pero hermosa.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Argentina - Movimentos "Populares" e Estudantil



Hoje participei da minha segunda marcha. A primeira foi na sexta-feira.
Aqui se faz marcha para quase tudo. La Plata, por ser uma cidade universitária de fato (são milhares de alunos cursando, não há um campus centralizado, e a cidade pelas praças e outras estruturas urbanas propicia o encontro da gente) tem um movimento estudantil muito forte. Há 3 grandes grupos - UNITE, Movimiento SUR, e COPA - e de alguma maneira os Centro de Estudantes (Centros Acadêmicos aí no Brasil) são ocupados por estes diferentes grupos. Eles dizem-se apartidários. Eu definitivamente, com minha vivência de mês e meio e pouca leitura posso avaliar a veracidade desta informação.
Mas o que quero comentar é como aqui as marchas estão constituídas como maneira de atuação política. Se no Brasil tudo acaba em pizza, aqui tudo acaba em marcha. Segundo a Lívia, é falta de Carnaval. E eu em partes concordo. Não podia acreditar no dia 23 de março, quando houve uma MARCHA pelos 30 mil desaparecidos da ditadura, na pseudomulata dançando pseudosamba ao som de uma bateria. E ao redor milhares de estudantes segurando faixas, "representando"os grupos estudantis, os estudantes que apoiavam a manifestação e exigiam do Governo (a palavra Gobierno aqui é muito mais usada que a palavra Estado) respostas às atrocidades cometidas na ditadura.
EU começo a ler está semana "Breve História de la Argentina - José Luis Romero" para tentar ampliar minha compreensão sobre a formação deste país que me acolhe por agora.
A marcha de sexta-feira era de Julio Lopez. Ele foi um dos muitos presos e torturados da época da ditadura que sobreviveu. Muitos anos depois, no início dos anos 2000, decidiu contar sobre o que viu (e quem viu) nos centros de concentração. Abriu-se então um inquérito para apurar as ações do senhor Miguel Etchecolatz, milico da época. Com evidências em mão, começou o julgamento, até que no dia 18 de Setembro de 2006, seria o último julgamento, onde o coronel Miguel Etchecolatz foi declarado culpado e preso por envolvimento na tortura e práticas políticas da ditadura.
Todos esperavam a testemunha, Lopez, neste dia. Lopez "não apareceu". Desapareceu. Desapareceu como desapareceram tantos jovens daquela época, que segundo o discurso de muitos militares, não estão mortos, estão vivendo em Cuba, e as famílias argentinas não têm notícias por conta do governo do Fidel, que fez com que os jovens desaparecidos da ditadura não tivessem vontade de voltar de lá.
Essas dores estão arraigadas nos argentinos. Muitos dos estudantes de hoje tiveram pais torturados na ditadura. O pai da Sole, que mora comigo, ficou preso por 5 anos. A mãe dela, que tem um bócio enorme, recusa-se a fazer uma cirurgia. Não vai a médicos até hoje, carregando a lembrança de muitos que ajudavam o governo militar a sacar a verdade dos jovens rebeldes.
No 18 de cada mês os estudantes, de todos os 3 grupos políticos, saem às ruas em Buenos Aires cobrando do Estado (Gobierno) uma resposta ao dado sumiço. Querem que investiguem, querem uma posição. É de fato assustador que ainda sumam com gente que luta por aqui (apesar de no Brasil isso não ser nada diferente - lembrando o caso do Toninho do PT, prefeito de Campinas morto em 2001).
Mas a marcha não deixa de ser, de alguma maneira, "coisa de adolescente". É onde as pessoas se encontram, conversam, há bateria, cantam, caminham pelas ruas em que geral não se pode caminhar, fechando o trânsito, trangredindo o dia a dia, levando faixas. A fantasia é o vermelho e negro. (tirando a cor do Flamengo, bem que lembra o Carnaval, não?). Talvez a Lívia esteja certa, a marcha é fruto da falta de Carnaval.
Tem um movimento de grafite muito forte também! Por onde passa a marcha, os grafiteiros deixam mensagens para que os caminham pela rua."Donde está Lopez?", "Sin Lopes no hay nunca más", "Aparición con vida yá de Julio Lopez"(esta última, em específico, me parece uma pauta de reivindicação bastante furada).
Se no Brasil, a pressão da informação da identidade nacional está no velho chavão de que "Brasileiro sempre se esquece", o que manda aqui é "O argentino nunca esquece".
Pode ser bom esquecer. Para seguir, às vezes é importante deixar as coisas para trás.
Onde está o equilíbrio entre este sempre e nunca.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Pra começar

Bem vindos a mais um espaço virtual de Natalie Rios!
De alguma maneira me envolvi neste mundo em que um ser vivo humanóide cria uma extensão do seu ser no tal mundo virtual.
Parei por algum tempo hoje ao me dar conta de como os 3 quilos do meu computador possibilitam me comunicar com o mundo(ao menos a parte do mundo que tem acesso a rede)!

Os textos começarão a aparecer muito em breve.
Espero que possamos compartilhar idéias, histórias, e momentos neste espaço, de alguma maneira!

A todos, "A mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranquilo".