segunda-feira, 30 de junho de 2008

Questões Climáticas

No dia 21 de março, sexta-feira santa, La Plata teve um alerta metereológico e foi atingida por uma forte chuva de granizo, com pedras de 5 a 8 cm de diametro. A destruição foi massiva, telhados quebrados (e infiltração), muitas, mas muitas janelas e vidros quebrados, e carros com vidros marcados e lataria amassada.
No "sábado de aleluia" se via a destruição nas ruas. Vidros quebrados, plásticos colados na janela para impedir o vento, filas imensas nas vidraçarias.

Estufa da Faculdade de Agronomía
Neste domingo, na volta de Buenos Aires depois de ter deixado Camila e Kaiser no hostel Down Town Mate, conheci dois caras de Dourados que desde a chuva de granizo moram em La Plata. Trabalham com MArtelinho de ouro, e estão ajeitando os carros por aqui. Me contaram que fazem isso sempre, e a vantagem é ganhar em dólar. Ficam na espera de uma chuva de granizo em algum lugar do mundo para juntar uma grana e arrumar o estrago.

Pára-brisas de um carro

Três meses depois dessa chuva, tem muito teto ainda sem arrumar e vidro sem trocar. Nem sempre o orçamento dá conta.

Três semanas depois, tivemos um problema não tão climático... Começaram a queimas os pastizais de Entre Rios, e veio uma nuvem de fumaça para toda a região da margem sul do Rio de La Plata. Parece neblina, mas na verdade vivemos muitos dias num grande defumador.

La Plata - 18 de Abril, 9 a.m.

A primeira névoa passou em 4 dias, e 3 dias depois voltou. Muita gente doente, internações de doenças respiratórias, roupas cheirando a churrasco, e efeitos especiais nas aulas com datashow. Era possível ver os feixes de luz.

Em maio começou a baixar as temperaturas. Estou acostumada agora com máximas de 15 graus, e felizmente as mínimas ainda não passaram de zero. O problema nesta região, é que é muito úmido, e a sensação térmica pode ser pior do que se está em uma temperatura mais baixa mas mais seca.

Não chega a chover, mas há dias em que a neblina toma conta da paisagem, e o ar se condensa molhando tudo. Lavar roupa pode ser uma tarefa árdua!

Plaza Moreno (La Plata) - 28 de Junho
São as gotinhas de água condensadas!

Ao menos agora tenho um saco de dormir para -12/-18 graus, e com isso espero não morrer de frio no meu caminho de encontro ao frio. É possível que vá a Bariloche.

terça-feira, 24 de junho de 2008

RECICLE SEU CICLO

Editado em Abril de 2013.


Há muito, muito tempo eu comecei uma pesquisa sobre alternativas aos absorventes "íntimos" femininos, mais preocupada com a quantidade de lixo que eu gerava que qualquer outra coisa.
(se você é um homem leitor deste blog, peço desculpas e me despido, ou te convido a um passeio por uma parte visceral do universo feminino)

Fora o absorvente em si, uma mescla de algodão, plástico e químicos, o lixo é formado também pelos envelopes individuais, tiras destacáveis na cola central, e pedacinhos nas abas. Acho que 90% das mulheres e jovens de minha geração que usam absorvente externo preferem os com abas! (Mas pode ser que eu esteja enganada.)

Fora as usuárias de absorvente com abas, há também o grupo das mulheres que usam absorvente interno (o famoso O.B., que pode ser da marca Tampax também, e a discussão equivocada sobre pequeno, médio e grande já foi feita pelo filme "Os Normais").

Conheço muita gente que não troca um O.B. por nada. De fato, você não chega a ver o sangue. Ele tapa, algumas horas depois você puxa a cordinha, enrola no papel, e coloca outro no lugar. O sangue do ventre feminino é quase esquecido. Nunca soube optar por um ou outro, sempre fiz uso conjugado! Saídas longas sem certeza de banheiro próximo, nada melhor que O.B. e fraldinha para evitar "acidentes". O fênomeno praia é também difícil, mesmo com o interno, é bom checar o fiozinho.
Ah, dentro do mundo dos absorvente há também a lenda da dioxina, que dá câncer e é usada no absorventes internos.

Mas apesar do O.B. ser garantia de que não vai melar, me incomodava o fato de não deixar sair direito a coisa lá de dentro, e fora isso, aquele algodão resseca um pouco a mucosa da vagina.


Muita leitura, muito google, muito tempo internético, e encontramos os ABIOsorventes. Achei maneira a idéia, me fez pensar muito sobre o que é o ciclo menstrual, rever as luas, os ciclos, o significado desta secreção produzida e excretada uma vez a cada 28 dias pelo meu corpo!

Achei lindo, poético, mas a proposta não me convenceu: são paninhos bem costurados onde se colocam as camadas absorventes, que devem ser trocados como um absorvente normal. Ou seja, no mínimo 3 dessas adoráveis coisinhas para lavar por dia. Aí você deixa de molho um dia, e tem que usar outras 3! A compra recomendável é de 6 a 12 abiosorventes. Cada 6 saem R$72,00 se forem 12 são R$144,00. Achei caro e não prático! Imagina un varal cheio disso pendurado!

Não contente, e ainda na busca de uma solução, cheguei ao que se chama "Menstrual Cup". Não tem uma tradução adequada ao português: copo menstrual. Eu e Camila escolhemos então um nome tupiniquim: coletor menstrual. Nos pareceu mais apropriado, e pode ser usado também em espanhol adicionando-se um C. Os "menstrual cup" tradicionais são em formato de funil fechado na extremidade geralmente feitos de silicone. O número de marcas aumentou do ano passado para este, e todas são regulamentadas pelo FDA/USA.

A proposta é conter o fluxo menstrual em um recipiente que fica preso na parte inferior da vagina, e esvaziá-lo algums vezes ao dia (idealmente entre 4 e 8 horas). A maioria das marcas tem 2 numerações, uma para jovens de até 30 anos que nunca tiveram filhos, e outra para mulheres de mais de 30 ou que já tiveram filhos. Aparentemente, o tamanho/flexibilidade da vagina muda bastante com esses dois fatores.
E com isso, nunca mais comprar absorventes, gerar um lixo que ou fica cheirando mal no banheiro, ou não saber onde colocar um absorvente usado em um banheiro sem lixeira.

O primeiro Menstrual Cup foi patenteado nos anos 30 e se chamava Daintette. Mas reutilizar não foi uma palavra parte da idiossincrasia do mundo ocidental no século 20. Os descartáveis massacraram a proposta. E agora, com o tal movimento ambientalista do século 21, as pessoas parecem começar a buscar soluções. Deixo aqui alguns sites para consultas:

LunaPads - Fabricam abiosorventes e o DivaCup (muito grande na minha avaliação). Usam algodão orgânico ou comum. EUA/Canadá
The Keeper - Fabricam uma versão em látex desde 1987 (que promete durar 10 anos), e a versão em silicone também chama Moon Cup, mas essa é uma empresa americana. (EUA)
Lunette - Marca finlandesa, das mais antigas. Tem um sistema de compra mais complicado que as outras.
Miacup - Eles revertem parte do lucro de venda para o programa Food&Trees for Afrika. Tem uma boa página, informações bem detalhadas. É produzida na África do Sul!
LadyCup - Mais nova marca de menstrual cup. Traz toda uma linha de higienização e cuidado com o aparato, inclusive gel para facilitar a inserção e remoção. As bolsinhas de armazenagem tem diferentes "design". Produzida na República Tcheca, tem o menstrual cup mais liso, e usam os 25 anos como idade entre um tamanho e outro. Nao gostei dele, vazava muito para mim.
FemmeCup - mais uma marca inglesa, é um pouco mais grande que as outras. Pode ser mais dificil de usar, mas suporte maior carga de fluxo menstrual. Não tem tamanhos para cada tipo de vagina.
MoonCup - Essa é a marca que eu comprei. Era a mais barata, e só concorria com a Lunette, Diva Cup e The Keeper. O livre mercado ampliou as opções, e você pode provar outro, a vontade.
LunaCup - Marca que roubou o nome da minha futura marca. É produzida pela Bivea, empresa francesa de produtos para áreas íntimas.
Yuuki - E a marca que recomendo atualmente, pelo custo beneficio.


Se as pessoas começam a criar um monte de acessórios, gel e higienizador em embalagem de dose única, lenços sanitários, etc, etc, a história de diminuir o número de resíduos vai por água abaixo.

E por último, a tecnologia americana para piorar o tipo de resíduo de uso de absorventes.
Instead SoftCup - Menstrual Cup no formato de um diafragma, mas mais flexível, feito de materiais usados na área médica (não especificados). Ao contrário da proposta dos outros, este não é reutilizável, é descartável, e gera um resíduo muito pior que absorventes e algodão. Entretanto, por ser apoiado na base do colo do útero, mantem todo o canal da vagina livre de sangue. Por isso, seu grande mérito é possibilitar manter relações sexuais com o parceiro, sem deixar cair uma gotinha de sangue sequer. E não faço a menor idéia de se há alguma interferência que leve a romper camisinha. (e o videozinho da entrada é genial).
Não vale como absorvente, mas pode ser um bom presente de dia dos namorados! :)

E você quer saber o que eu achei do Mooncup?
Eu comprei faz meses, mas por atrasos e retenções na alfândega, mudança para Argentina, etc., o estreei ontem a noite. Não fervi, deixei de molho em uma solução de cloro para higienizar, li o livrinho de recomendações técnicas, e o coloquei sem grandes dramas. Não cortei a haste como está indicado, porque ainda não entendi bem a dinâmica e a interrelação dele com o meu corpo.
Mas é divertido. Em 24 horas eu sei que saiu 10+12+10+8 ml de sangue de meu ventre. Nunca tinha parado para pensar em quanto de sangue perco por menstruação.
A parte mais incomoda até entao é a retirada.
Todo um novo mundo se abrindo.

Coletor Menstrual dobrado para inserçao

Quando eu comprei, eu queria pegar o sangue e jogar na terra, manter o ciclo do nutriente, enriquecer a terra que me dá de comer. Mas eu já sou bicho raro demais aqui na Argentina. Então eu vou de pouco nessas minhas maluquices.


Em homenagem a uma grande amiga, fica um aviso-dica: se for ferver seu Menstrual Cup para higienizá-lo, coloque um alarme para que se lembre de apagá-lo.
Ou faça a higienização com água sanitária.
---
Abril de 2013, quase 6 anos se passaram, e só posso continuar elogiando. Experimentei 2 outras marcas (este do post, se perdeu num furto de necessaire voltando da Argentina).
Em cada canto que passo, acho meu recipiente específico para fervê-lo e esterelizá-lo (porque o povo ficaria com nojinho de comer um macarrão preparado na mesma panela em que eu fervo o coletor).
Trabalhei por 2 meses costurando absorvente de pano na Artefatos de Pano, e mais alguns anos como consultora na produção. Criamos o modelo com a toalha invertida (por cima) pra diminuir as trocas inteiras diárias (trocando-se só o refil).
E já "catequizei" um punhado de mulher que não podia ouvir falar em ver o próprio sangue.

Fora o fato de eu poder fazer tudo (tudo mesmo) usando o coletor, absorvente é um gasto que não entra no meu orçamento. E que faz as minhas amigas pularem para trás quando me pedem um absorvente emprestado, e respondo que não uso (e não que não tenho).
Os absorventes da Artefatos de Pano

-----

Diferenças de tamanho do LadyCup - Clique Aqui (não gosto muito deste modelo)

Fórum em inglês com informações, dicas e debates das usuárias: http://www.menstrualcups.org/

E outra página com informações em inglês, sobre opções menstruais reutilizáveis:
www.ecomenses.com

E se você está realmente curioso com todo esse tema, deixo o convite para um passeio pelo Museu da Menstruaçao e Saúde da Mulher.

RECICLE SEU CICLO

sábado, 14 de junho de 2008

TransitoAtivismo em La Plata (o Crónica de una bicimilitante)

Passou o inexplicável agora há pouco!

Em quase 4 meses na Argentina, o trânsito aqui a coisa que mais me enlouqueceu.
O número de acidentes de trânsito na Argentina cresce cerca de 4% ao ano. Do total de mortes no país, 35% é direta ou indiretamente pelo trânsito. Na grande mídia, a Argentina é colocada como o país da América do Sul com mais acidentes de trânsito, mas tem muita gente que diz que o aumento dessa estatística não é verdadeira, é só serve para aumentar o valor dos seguros dos automóveis. Esses são dados de leituras de muitas fontes, mas como são contraditórios, fico reproduzindo aqui informação que pode não ser verdadeira.

Por falar em automóveis, a coisa aqui é mais contraditória que no Brasil. Um monte de carro novo, tinta brilhando a saído de fábrica, cores sóbrias e neutras. Construção do modelo de consumo clássico de classe média, com um toque de não popular.E aí tem a frota dos antigos. Um dos grupos de carros antigos são os que circulam aqui e seriam peça de museu aí. Depois tem os velhos porque são velhos, e bem cuidados. E os que mais ocupam as calles são os velhos e mal conservados. Tá armado o caos.

Uma curiosidade: muitos dos carros daqui rodam a base de Diesel. Isso aumenta muito o ruído urbano (piorado com a má conservação dos carros). É comum ver um UNO passeando com o ruído de uma caminhonete ou de uma 4x4. A Gasolina (chamada de GASOIL) tá em falta. Tem posto que está fechado, e muitos vendem apenas uma cota de combustível, e para encher o tanque você tem que parar en vários postos (estación de servicio). Nas viagens que fiz, perdia-se uma hora na saída parando em diferentes postos de gasolina. Entretanto, se você for a um posto Petrobrás ou YPF o combustível é liberado. São as donas do negócio. A primeira já estamos bem familiarizados, e a segunda é uma petroquímica que tem uma (entre muitas) refinaria aqui em La Plata, e poluiu o campo da Facultade de Agronomia, reduzindo a área de pasto das vaquinhas que produzem leite para um comedor popular, em 70%. A proposta é converter todos os postos autônomos em postos das redes, e a a melhor maneira de fazê-lo é não abastecendo-os. Ou fale, ou se converte.

-------------------------------------------------------------------------------

La Plata não tem nenhuma estrutura para bicicletas, e a regulamentação do nacional de trânsito é muito superficial, não sanando diversas dúvidas de prioridade, certo e errado que felizmente o código brasileiro de trânsito resolve bem.
Para a legislação argentina, o link é esse: http://cicloviavel.multiply.com/journal/item/4

Até que...
Hoje às 13h30, estava passando por uma rua aqui, e me deparei com essa cena:
http://www.eldia.com.ar/edis/20080613/20080613154212.htm
Como ia fazer um trabalho em uma horta, tinha uma máquina para registrar o encontro com os meninos do bairro.
Acabei sendo a primeira fotógrafa da cena do incidente, e tirei umas fotos para postar no blog junto com um texto sobre o transito platense.

Já faz um tempo que estou indignada e assustada com o caos do transito daqui!
A cidade construída no final do séc. XIX, foi planejada, mas não para assistir a uma comunidade que se organiza hoje de outra maneira, com outra velocidade, diferente das carroças e carros daquela época.
Cada cruzamento é uma batida potencial. Só há semáforo nas grandes avenidas e em algumas diagonais mais frequentadas. Nas outras esquinas, vale a lei do mais forte. A lei é correr mais pra atravessar primeiro, frear na hora se for indispensável, e tratar ciclista e pedestre como alvos que atrapalham o caminho, ou seja, vão sinalizar que você ou corre ou pode perder um pedaço do corpo!
Armas potenciais nas mãos de gente despreparada (para não usar a palavra estúpida, essa sim na ponta da minha língua).
Uma carteira de motorista custa 72 pesos. Se não for de maior, e o papai autorizar, aos 16 anos na maior parte das províncias argentinas se pode emitir a carteira de motorista.
La Plata e alguns outros municípios possuem um sistema de avaliação regido municipalmente, em que existem provas semelhantes as do Brasil. Entretanto, o que a maioria faz é buscar um comprovante de residência em outro município com leis mais flexíveis. Aqui na região, acabam indo para Berisso e City Bell. Na capital, Buenos Aires, precisa fazer um curso teórico de uma semana como n Brasil.
Concordo que no Brasil é demasiado caro, mas a burocracia toda é válida sim. Eu juro que sinto falta do trânsito de Campinas.

Não se dá seta para virar. Sinalizar aqui é quase um luxo. O que sim, tem piscas-alertas quase todo o tempo parados no meio da rua, esperando alguém, algo, ou parado mesmo enquanto o motorista precisa ir resolver uma coisa rapidinho.

Triste e com o coração cheio de vontade de escrever um texto sobre o transito platense, em 2 semáforos com gente parada não em cima da faixa, mas já no meio da rua (onde circulam as bicicletas), saquei a minha arma (a câmara) e tirei uma foto. Sem ver motorista, placa, nada! Só a irregularidade que tantos habitantes platenses cometem e tratam como se fosse normal.

O senhor motorista do carro que fotografei, parou o carro (no meio da rua, obviamente), e veio até mim, me ameaçando, dizendo que não podia fazer isso. Falei com toda a calma do mundo que não podia identificá-lo, mostrei a foto, e nada. Apaguei a dita foto. Chega dizendo que é polícia, e que o que eu estou fazendo é ilegal (situação de estrangeira oprimida com medo de te fato ter feito uma cagada). Sujeito com cara de mal, um metro e meio de altura, cabeça careca lustrada, bigodão negro. Me perguntava de onde eu era, insistentemente, e o que estava fazendo na Argentina. Muitos rodeios para não dar a informação, e a violência verbal piorando. Pára um homem, e diz para eu não me preocupar. Fica ali parado, com cara de pastel, entendo a situação, e com uma ponta de sadismo, tanto em relação a mim quanto ao cara. O "policial" diz que vai chamar a comisaria. O pastel empresta o celular para ele (ao invés de dizer a ele que tá tudo bem e deixar-me ir). Chama a polícia, diz que tem uma emergência na 12 e 44. EMERGÊNCIA. Tudo bem. Volta com as perguntas, e prefiro dizer que sou brasileira, e estou de intercâmbio na agronomia. (não queria contradições com o possível B.O.) Me diz agora que eu tinha que apagar também a foto que tirei do carro parado sobre a calçada de uma esquina, com o pisca-alerta ligado. Apaguei. Vou embora então, não? Outra vez me segura pela bicicleta, não me deixa ir (cheguei a pedalar em falso, me suspendeu no ar). E o pastel, outra vez, ao invés de fazer campanha para resolver a situação na paz, queria ver o circo pegar fogo. Com esse tipo eu não poderia contar.
Mulher, estrangeira, ameaçada por um "policial".
-Mas por que você tá tirando foto? Você não estuda periodismo (jornalismo) estuda agronomia. (Nessa hora você que a sociedade humana realmente está mal das pernas).
-Eu participo de um grupo de ciclistas no Brasil, e queria compartilhar um pouco como é a situação aqui com eles.
- Você não é autoridade, não pode me dar uma multa? Depois você vai querer me dar uma multa por isso.
-
Eu já não tem mais sua foto, nem a deste carro.
-Você tá com seus documentos ai?
-
Estou.
-Me mostra?
-Não. Então, seu carro tá parado no meio da rua.
-Não importa se baterem, o carro é meu.
-É disso que eu to falando, não que vá estragar o carro, mas põe a vida das pessoas em risco.
-Antes de me acusar, você tem que pedir pra que o governo pinte essa faixa melhor, vê como tá.
-Eu sei disso, por isso deste o começo eu disse que não tire uma foto do seu carro para te acusar, e sim para retratar uma situação.
-Eu dirijo assim mesmo, todo mundo dirige assim aqui. Se você quer tirar foto, vai tirar foto do Brasil. Eu não posso ir pro Brasil e sair tirando foto de tudo que eu quero. Eu não posso tirar uma foto sua lá.
-
Senhor, eu não tirei uma foto sua, e esta a que você se refere já está apagada. (como foi difícil sair a palavra borrar nessa conversa)

O cara de pastel segue passivo à situação. Acho que ele esperava a imprensa para dar uma entrevista, ou queria ver algum dos dois se fuder, outra vez, por puro sadismo. Uma última tentativa de diálogo para que me deixasse ir antes de eu talvez ser levada por camburão a delegacia. O trato das pessoas nas delegacias aqui traz resquícios do passado de ditadura. Não existe lei, não existe coerência, não existe ética. Se fazem minha identificação e me levam para a polícia, alguma merda pro meu lado ia ser criada. Justificativa, se não se acha se cria.
Já parei de me preocupar em tentar escapar. O pastel não me ajudava, e ampliar meus crimes para violência física contra a tal autoridade era algo que eu não queria (apesar de até agora eu não saber se o cara era ou não polícia de verdade). Tentei diálogo, estendi a mão (e me lembrei de que aqui ele não usam as mãos para se cumprimentar. Na verdade não se tocam para quase nada, mas todos, conhecidos ou desconhecidos, se cumprimentam com beijo no rosto). Retiro a mão, volto a pedir desculpas, e a dizer que não sou uma ameaça. Pergunto quanto tempo tarda pra chegar a comisaria, e não sabe me dizer. Tento usar a argumentação de que tenho algo muito importante por fazer e preciso mesmo ir. Um olhar um pouco mais solidário. Aparentemente percebeu que até aquele momento não havia dito nenhuma mentira, e se solidarizou.
Minha última humilhação por não ter feito nada, foi apagar todas as fotos que estavam na câmera. As do acidente do link, de alguns amigos, de alguns lugares. Por sorte apenas o material dessa semana. Indiretamente, o cara violou um pedaço de mim.

Vale ressaltar que todo este diálogo se deu em espanhol argentino, e sob pressão, é muito mais difícil expressar-se em outro idioma, entender algumas palavras-expressões, e a chance de se piorar a situação é sempre maior que em uma discussão de paridade idiomática.

Saí pedalando sem olhar pra trás. Se no meio da rua, com pessoas ao meu redor, me senti desnuda nesta situação, não consigo imaginar como era ser um jovem fora da normalidade na época da ditadura, de fato sem roupa, sem comida, sem dormida, sendo acusado de crimes que não cometeu.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Acho que no fundo, eu só queria estar no Brasil pra andar de bike pelada em São Paulo amanhã!

(o fato de este post não ter foto se justifica pela história já contada)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Que cree usted que es la locura?

"Creo que es algo muy simple. Como todo en este mundo la locura tiene ambién su contrário: la razón. Uno no puede existir sin el otro. Funciona básicamente por un principio dual de preguntas y respuestas. Todo és así, él se pregunta e se responde todo el tiempo.
Donde estoy?
En mi casa.
Quién está a mi lado?
Es mi gato.

Mientras la persona encuentre respuestas satisfactorias a sus preguntas permanecerá tranquilo, pero cuando sus preguntas prevalezcan se turbará y se comportará de modo extraño a causa de la incertidumbre.

Las respueta es la certeza y pertenece a la razón; la pregunta es a duda y pertenece a la locura"

Revista El Baño, La Plata, n.2. 2004. (revistaelba@yahoo.com.ar)

Diz-se que é um trecho de uma entrevista com o médico Edgardo Alcoba, feita por Lauro Leipzig. Ambos nomes não se encontram pelo google. Assim que a veracidade da existencia de tais pessoas está comprometida.

Mas a verdade sobre este post está na minha pergunta sem resposta: "será que eu to louca?"

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Uruguay - Dicas de viagem

Belo e pequeno país, com quase a metade de sua população vivendo na capital, tem como maior ponto turístico a costa leste, que deve ser visitada no verão. (Como fui ao final de maio, não visitei). A maior parte do território é agrícola, com forte produção pecuária.
O Uruguay é dividido em 19 departamentos. É uma mescla entre município e estado no Brasil.

Mapa do Uruguai

Sede do Mercosul
Em Montevideo está a sede do Mercosul (ou Mercosur para os vizinhos hispanohablantes).
A capital, com mais de 1 milhão e meio de habitantes (considerando toda a região metropolitana), não possui metrô, tem um sistema de ônibus relativamente eficiente mas muito complicado para um turista, e pouca estrutura para bicicleta (há uma ciclovia na Rambla - avenida que acompanha a costa).

A maior parte dos estabelecimentos em Colonia e Carmelo aceitam peso argentino, peso uruguaio e dólar.
Há uma infinidade de casas de cambio em todas as cidades! Não se preocupe com cambio antes de sair do país.

TRANSPORTE (os preços aqui estão em pesos argentinos)
O Uruguay faz fronteira com a Argentina pelo Río Uruguay a oeste, e o Río de la Plata ao sul.
Há três rodovias que ligam os dois países,
Gualeguaychú(Arg.) e Fray Bentos (Uru.) - Ruta 11
Colón (Arg.) e Paysandú (Uru.) - Ruta 18
Concordia(Arg) e Salto (Uru) - onde está a Hidrelétrica de Salto Grande.

De Buenos Aires saem barcos para diferentes cidades do Uruguai, a diferentes preços. Algumas das empresas saem de Tigre, uma cidade a Oeste de Buenos Aires onde há um pequeno porto.
As cidades no Uruguai onde chegam os barcos são Nueva Palmira, Carmelo, Colónia ou Montevideo. Para algumas empresas há traslado em terra incluídos ou não no trecho da passagem.
O transporte por terra é feito por distintas empresas, mas é bom evitar os finais de semana e feriados prolongados, devido ao fechamento das estradas pela problemática das papeleras finlandesas no Rio Uruguai.

AQUÁTICOS
Lineas Delta
- www.lineasdelta.com.ar
Compra in loco.
Porto em Tigre, sem transporte terrestre.
Palmira - $50
Para Palmira: diário às 7h30.
De Palmira: 2a a 6a, às 15h. Sábado e domingo, às 16h.
Colonia - $60
Para Colonia: diário às 7h30.
De Colonia: 2a a 6a, às 12h45. Sábado e domingo, às 14.

Cacciola Viajes - www.cacciolaviajes.com
Compra in loco
Saída de Tigre, com ônibus incluído desde capital(Buenos Aires) até o porto.
Saídas diárias do Centro de Bs.As. às 6h15 e 14h15.
Até Carmelo - $52
Até Montevideo - $80(o trecho até Montevideo é feito com ônibus da própria empresa)
Endereço para compra de passagem em Bs.As.
Florida 520 Piso 1 Oficina 112. Tel: 54-11- 4393.6100/ 4394.5520
(Descer na Estação Lavalle do Subte/Metrô)

Colonia Express - www.coloniaexpress.com
Compra in loco ou por telefone.
Porto em Buenos Aires e Colonia. O transporte de Montevideo até Colonia é feito por ônibus da empresa.

BuqueBus -
www.buquebus.com
Compra pela Internet ou in loco.
McDonald's do transporte Argentina Uruguai. Está espalhada por todos os lados, em especial no Uruguay.
Tem o serviço mais rápido possível, que também custa bastante caro.
No site tem toda a informação que possam necessitar.

TERRESTRES
Cauvi
Montevideo, Terminal Tres Cruces - 401.9196
Buenos Aires, Terminal Retiro - 43.144930
Saídas diárias de ambas cidades às 21h30. Preço: 760 pesos uruguayos.

Existem outras empresas que fazem o transporte por via terrestre, é só se informar nos terminais rodoviários.

Outras informações
Vale lembrar que cidadãos uruguaios (e argentinos) tem desconto nas passagens por algumas companhias. É uma boa política para integração entre os 2 países.
Cidadãos do Mercosul podem viajar com documento nacional de identificação (D.N.I. ouR.G.) ou Passaporte - que te garante um carimbo de recordação para toda a vida.

Transporte Terrestre no Uruguai
Dentro do Uruguay é tranquilo viajar de ônibus.
Em Carmelo, a empresa que sai até Colonia é a Berruti e custa 70 pesos uruguaios.
Existem mais horários, mas te garanto o das 12h45 e 14h.
Berruti y Cia: Calle Gral. Artigas 1130. Telefax (0544)6181
beruttiturismo@adinet.com.uy

De Colonia a Montevideo, há 2 empresas, os horários são frequentes. Custa 170 pesos Uruguaios.
Turil S.A. - www.turil.com.uy


Colonia del Sacramento - www.colonia.gub.uy
Pequena cidade fundada por portugueses em 1680, tem como maior atrativo a parte histórica com traços arquitetônicos portugueses e espanhóis, declarada como Patrimonio Mundial pela UNESCO em 1995.
Nos hostels há bicicletas disponíveis para os hóspedes, na maioria das vezes sem custo adicional.
É a capital do Departamento de Colonia.

Site com informações gerais de hospedagem: www.hotelesencolonia.com

Hostel sugerido:
Hostel Colonial - Av. Gral. Flores 440 (e-mail: hosteling_colonial@hotmail.com )
de $170 a $200 pesos uruguaios por pessoa. Tem dormitórios e quartos privados.
Tem bicicletas, internet gratuita, uma cozinha pequena, e quartos amplos e arejados, num casarão antigo. Está na avenida principal da região, perto de comércio.
O café da manhã é cobrado a parte.

Comida Vegetariana
Montevideo
Sabor Urbano - Calle Zabala 1341 (próximo a calle Sarandi). Tel: 915.8338
De segunda a sexta, de 10h30 às 16h30.